A PARÁBOLA DO SEMEADOR

19-07-2010 22:35

Mt 13,1-23 – Evangelho de Quarta Feira, 21 de julho de 2010.

 

“Ele pode espalhar a semente que lhe foi confiada, mas não pode ordenar que ela cresça.    Ele pode oferecer a palavra da verdade a um povo, mas não pode fazer as pessoas receberem a palavra e produzir fruto espiritual.  Porque Produzir vida é uma prerrogativa soberana de Deus.”

  

 

Estamos diante de um capítulo marcado pelas parábolas do mestre que representa a forma eficaz da pedagogia de Jesus.

Com esta parábola aprendemos que o serviço do missionário é semelhante ao do semeador que lança a semente ou seja a palavra de Deus. Neste episódio Deus quer que a Sua palavra seja anunciada e exposta e que as pessoas estejam reunidas para ouvi-la. Pois ela descreve o que acontece no dia a dia das pessoas.

Por outro, assim como o semeador deve lançar a boa semente, assim o pregador. Ele precisa semear a pura Palavra de Deus e não as tradições da Igreja ou as doutrinas humanas. O pregador precisa ser diligente. Não pode poupar esforços. Precisa lançar mão de todos os meios possíveis para fazer o seu trabalho prosperar. Ele não pode deixar-se deter por dificuldades e desencorajamentos.

 

Ele pode espalhar a semente que lhe foi confiada, mas não pode ordenar que ela cresça.    Ele pode oferecer a palavra da verdade a um povo, mas não pode fazer as pessoas receberem a palavra e produzir fruto espiritual.  Porque Produzir vida é uma prerrogativa soberana de Deus.

O ensinamento do texto é uma advertência de que podemos refletir sobre um sermão com o coração endurecido, em que o sofrimento de JESUS pode ser exposto diante de você e você ouvir com total indiferença, como não se ouvisse nada!

Tão rápido as palavras chegam aos seus ouvidos e na mesma velocidade o diabo arranca de você e você volta para casa como se não tivesse ido a lugar algum.

 

O texto nos deixa duas verdades claras:

 

Primeira:  Podemos ouvir a palavra de Deus com prazer, enquanto que a impressão produzida em nós é apenas temporária e de pouca duração.

Nosso coração, como o “solo rochoso” da parábola, pode produzir um mundo de sentimentos e boas resoluções.  Porém, durante todo o tempo, pode não haver raízes profundas em nossa alma, de maneira que o primeiro vento frio de oposição ou tentação, pode fazer secar a nossa aparente religião.

E infelizmente há muitos ouvintes nessa classe!  A mera apreciação a palavra de Deus não é sinal da presença da graça divina.   Muitas pessoas são batizadas como os judeus nos dias de Ezequiel:  “Você não passa de um divertimento para eles, como um cantor que canta belas canções de amor, ou como um músico que toca bem o seu instrumento. Ouvem o que você fala, mas não põem uma palavra em prática”. (Ez. 33.32).

 

Segunda verdade do texto:  Podemos ouvir a palavra de Deus aprovando cada palavra, e, no entanto, não tirar dela qualquer benefício real.

Nosso coração tal como o solo recoberto de espinhos, pode se deixar afogar pelos cuidados e prazeres mundanos.   Podemos realmente apreciar o evangelho e desejar obedece-lo, mas no entanto, insensivelmente, não dar qualquer oportunidade ao evangelho de produzir seu fruto sobre nós.

E infelizmente também existem muitos ouvintes dessa natureza! Eles conhecem bem a verdade.  Esperam que um dia serão cristãos decididos.   Porém, jamais chegam ao ponto de desistir de tudo por amor a Cristo.   -   Eles nunca tomam a decisão de “buscar em primeiro lugar o reino de Deus”, e por isso mesmo, acabam morrendo em seus pecados.

 

Esses são dois pontos que deveríamos pesar cuidadosamente. Nunca deveríamos esquecer que há várias maneiras de se ouvir a Palavra de Deus sem proveito.  

Por outro lado o texto diz que os espinhos podem representar a fascinação das riquezas do mundo.  O v. 22 diz que as preocupações desta vida e pelo dinheiro, sufocam a Palavra de Deus e ele trabalha cada vez menos para Deus.

 

Finalmente o texto nos ensina que só há uma evidência de que estamos ouvindo corretamente a palavra de deus:  produzir frutos!

 

Arrependimento para com Deus, Fé no Senhor Jesus, Santidade de vida e caráter, Dedicação à oração, Humildade, Amor Cristão, Mente espiritual. Estas são as únicas provas satisfatórias de que a semente da Palavra de Deus está realizando o trabalho que lhe é próprio em nossas almas.

Sem tais provas, a nossa religião é vã, por melhor que tenha sido a nossa profissão de fé!

Não outro ensinamento nesta parábola que seja tão importante quanto esta! Nisto consiste o verdadeiro cristianismo: a vida religiosa que você diz amar, precisa dar fruto!

 

Portanto devemos nos indagar nesse momento: que efeito a palavra de deus está exercendo em mim?

 

Temos que estar convictos de que para chegar ao céu é preciso algo mais do vir à Igreja domingo após domingo.   As palavras de Jesus em João 15.16 precisa estar ecoando sempre em nosso coração: eu vos designei para que vades e deis frutos.

 

Padre Bantu Mendonça K. Sayla